11/01/2018

Os novos Desafios dos Contadores.

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Faça chuva ou faça sol na economia do país, quem trabalha com contabilidade parece estar sempre a salvo de turbulências. Mas toda essa lendária estabilidade da carreira não se traduz em ausência de novidades — ou de mudanças.

A chegada de novas tecnologias está alterando a antiga profissão , e quem não acompanhar esse ritmo acabará ficando para trás, diz o professor Bruno Salotti, coordenador da graduação em ciências contábeis da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo). 

Foi-se o tempo em que o contador era o mero encarregado de registrar manualmente em livros cada ocorrência contábil do negócio. As atividades burocráticas da área passaram a ser cada vez menos feitas por humanos com a chegada da informática e, mais tarde, dos softwares especializados.

“O profissional deixou de produzir os dados e passou a analisá-los, com o objetivo de prever o impacto contábil de cada decisão de negócios”, diz Salotti.

Nesse sentido, deixou de olhar para o passado da empresa — o dinheiro que entrou e que saiu no mês anterior, por exemplo —, e passou a fazer projeções para seu futuro.

A automatização de processos em contabilidade transformou um trabalho burocrático em analítico, o que também abriu espaço para que ele pudesse se tornar gerencial: há anos, grandes empresas já contam com a figura do CAO (Chief Accounting Officer), uma posição de diretoria alternativa à do tradicional CFO (Chief Financial Officer).

“O contador tem sido trazido para o âmbito da gestão”, afirma o professor da USP. “Ele agora ajuda a desenhar operações para gerar economia fiscal, identificar as melhores áreas geográficas para expandir o negócio e delinear as estratégias da companhia de forma geral”.

big data entra na conta

Para desempenhar funções cada vez mais estratégicas, o contador tem em mãos um recurso precioso: o big data. Termo amplamente utilizado na atualidade para nomear conjuntos de dados muito grandes ou complexos, que os aplicativos de processamento de dados tradicionais ainda não conseguem lidar. Os desafios desta área incluem: análise, captura, curadoria de dados, pesquisa, compartilhamento, armazenamento, transferência, visualização e informações sobre privacidade dos dados. Este termo muitas vezes se refere ao uso de análise preditiva e de alguns outros métodos avançados para extrair valor de dados, e raramente a um determinado tamanho do conjunto de dados. Maior precisão nos dados pode levar à tomada de decisões com mais confiança. Além disso, melhores decisões podem significar maior eficiência operacional, redução de risco e redução de custos.

Afinal, graças ao avanço da tecnologia, um gigantesco oceano de dados está à disposição das empresas — e elas buscam profissionais capazes de ajudá-las na missão de desvendá-los, inclusive na seara contábil.

“Além de ter conhecimentos profundos em contabilidade, hoje também é preciso dominar ferramentas de análise. O profissional de contabilidade mais requisitado do momento, é uma espécie de “cientista de dados contábeis”.

Não é preciso entender de programação, necessariamente; mas é preciso ir muito além do Excel. “O novo contador precisa dominar ferramentas de gestão de dados, montar painéis de análise e extrair conclusões para orientar as decisões do negócio”, afirma o especialista.

Comportamento também importa — e muito

De acordo com o gerente da Robert Half, certas habilidades comportamentais específicas são fundamentais para se dar bem no mercado de contabilidade no Brasil.

Uma delas é a disposição para investir em atualização constante. Ter um perfil estudioso, porém, não é suficiente. Além de resiliência e capacidade de automotivação, o contador precisa ser hábil em relacionamentos interpessoais. “Uma demanda recorrente dos empregadores é por profissionais que saibam se comunicar e fazer a ponte entre o departamento contábil e outras áreas, como marketing, vendas ou operações”.

Além de ter um conhecimento profundo sobre a própria área, o contador também deve saber um pouco de economia, administração, estatística, direito e tecnologia.

Fonte: Exame.com

Escrito por: Gabriella Martins - Assessoria de Comunicação Sescon GF
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